Polícia desmantela grupo que desviou mais de 700 toneladas de soja de ‘barão do agro’ em MT
Operação Joio cumpre 11 prisões e apura participação de funcionários em esquema que causou prejuízo de R$ 1,1 milhão em fazenda de Campo Novo do Parecis. Foto:
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (17) a Operação Joio, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada no furto qualificado de grãos. A investigação aponta que o grupo desviou nada menos que 701 toneladas de soja de uma fazenda pertencente a um dos grandes produtores da região, conhecido como “barão do agro”, no município de Campo Novo do Parecis.
Ao todo, estão sendo cumpridos 11 mandados de prisão preventiva, 11 de busca e apreensão, além do sequestro de 12 veículos e bloqueio de 11 contas bancárias. As ordens judiciais atingem endereços nas cidades de Barra do Bugres, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra, Guarantã do Norte e Diamantino.
De acordo com as investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), os desvios ocorreram de forma intensa entre os dias 2 e 9 de maio de 2025. Nesse curto período, pelo menos 14 carregamentos irregulares deixaram a propriedade sem qualquer fiscalização efetiva.
O esquema contava com a participação de funcionários da própria fazenda, especialmente aqueles ligados ao carregamento dos grãos e à classificação da carga, os chamados “balanceiros”. Segundo a polícia, caminhões ingressavam na propriedade utilizando ordens de carregamento falsificadas. Sem a devida conferência documental e pulando a etapa obrigatória de classificação do produto, os veículos eram abastecidos e seguiam para destino ignorado.
Para que o plano funcionasse, os criminosos pagavam vantagens indevidas aos funcionários que controlavam o acesso e a saída dos caminhões. Os valores eram transferidos por meio de depósitos bancários em contas de terceiros, uma estratégia para ocultar a origem ilícita do dinheiro e dificultar o trabalho de rastreamento financeiro pela polícia.
O prejuízo estimado à empresa vítima ultrapassa os R$ 1,1 milhão.
O nome da operação, Joio, faz referência à necessidade de separar o que é legítimo do que é fraudulento dentro da cadeia produtiva, simbolizando o trabalho investigativo de identificar e retirar do sistema os envolvidos no esquema criminoso. O delegado Mário Santiago, responsável pelo caso, destacou que as medidas judiciais visam não apenas interromper a atuação do grupo, mas também aprofundar as investigações e garantir o ressarcimento dos prejuízos.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, inserida no programa Tolerância Zero, que foca no combate às facções criminosas em todo o estado.
Além disso, a Operação Joio faz parte da 1ª Operação Redecarga, uma iniciativa de alcance nacional coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) , do Ministério da Justiça, que mobiliza as unidades especializadas de todo o Brasil no enfrentamento a roubos, furtos e receptação de cargas.





