• 5 de março de 2026
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ARMAZENAGEM

Déficit de silos pressiona produtores e expõe gargalo logístico no agronegócio de Mato Grosso

Entidades do setor apontam que o estado consegue armazenar apenas cerca de metade da produção de grãos, o que obriga produtores a vender durante a colheita e reduz margem de lucro
Foto: Reprodução

O avanço da produção agrícola em Mato Grosso consolidou o estado como o maior produtor de grãos do país, mas a expansão das lavouras não foi acompanhada pelo crescimento da infraestrutura de armazenagem. O descompasso tem ampliado um gargalo logístico que impacta diretamente a comercialização da safra e a rentabilidade do produtor rural.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), atualmente apenas cerca de 50% da produção estadual consegue ser armazenada. O restante precisa ser escoado rapidamente durante o período de colheita, quando a oferta elevada tende a pressionar os preços para baixo.

Segundo o presidente da entidade, Lucas Costa Beber, além da falta de estrutura, os juros elevados têm dificultado o acesso ao crédito para construção de novos armazéns. “A necessidade de escoamento rápido pressiona os produtores a venderem em um curto espaço de tempo, o que favorece a redução dos preços e impacta diretamente a renda no campo”, afirmou.

O vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, destaca que o problema se agrava em regiões de expansão agrícola recente, como o Vale do Araguaia, onde a produção cresceu mais rápido que a infraestrutura de armazenagem. Ele também aponta dificuldades no acesso a linhas de financiamento e problemas na qualidade da energia elétrica em algumas regiões, o que encarece a operação de silos e armazéns.

Na prática, a limitação de espaço para estocar a produção reduz a autonomia do produtor para decidir o melhor momento de venda e aumenta a dependência de armazéns terceirizados e tradings. Agricultores relatam ainda perdas de qualidade dos grãos e descontos aplicados por compradores quando a colheita ocorre com maior umidade, especialmente em anos chuvosos.

Diante desse cenário, a Aprosoja MT defende a ampliação de políticas públicas e linhas de financiamento voltadas à construção de silos nas propriedades. Para a entidade, aumentar a capacidade de armazenagem é estratégico para melhorar a logística, reduzir perdas e garantir maior estabilidade ao agronegócio mato-grossense.