• 21 de fevereiro de 2026
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AGRONEGÓCIO

Setor lácteo inicia 2026 sob ajuste após expansão recorde e pressão sobre margens em Mato Grosso

Análise da StoneX aponta estabilização da produção, possível recuperação gradual de preços e desafios com importações e acordo entre Mercosul e União Europeia
Foto: Reprodução

O mercado brasileiro de leite e derivados começou 2026 em ambiente de transição, após um ciclo de forte expansão na captação ao longo de 2025. De acordo com levantamento da StoneX, o crescimento expressivo da produção — favorecido por margens positivas e custos sob controle no ano passado — acabou provocando desequilíbrio entre oferta e demanda, pressionando preços e reduzindo a rentabilidade em toda a cadeia.

Segundo Juliana Torres, analista de inteligência de mercado da consultoria, o excesso de leite disponível no mercado levou à queda generalizada das cotações no fim de 2025, encerrando o ano com margens mais apertadas, sobretudo para o produtor rural. Para 2026, a expectativa é de estabilidade na produção, sem novos saltos no volume captado.

“A compressão das margens observada no fim do ano passado tende a moderar o ritmo produtivo, principalmente a partir do segundo trimestre, favorecendo um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda”, avalia a analista.

Consumo pode reagir com preços mais baixos

Os valores pagos ao produtor iniciaram o ano em patamares inferiores aos registrados anteriormente, o que pode estimular o consumo doméstico. Por outro lado, o desafio do setor passa pela recomposição das margens tanto no campo quanto na indústria.

Os primeiros sinais de reação surgiram no mercado spot — negociações entre indústrias — que apresentou alta em janeiro, após sucessivas quedas ao longo do segundo semestre de 2025. O movimento é interpretado como indício de maior equilíbrio entre oferta e demanda e de recuperação na firmeza dos derivados.

A projeção da StoneX é de retomada gradual dos preços ao longo de 2026, em linha com o padrão observado em 2024. A consolidação dessa tendência, porém, dependerá da capacidade de absorção do mercado interno e do comportamento dos custos de produção.

Varejo deve recompor preços de forma gradual

No varejo, os lácteos registraram deflação em 2025, refletindo a ampla oferta de leite e tornando os produtos mais acessíveis ao consumidor. A redução ocorreu não por retração da demanda, mas pela abundância de matéria-prima.

Para 2026, a tendência é de recomposição parcial dos preços nas gôndolas. Conforme a análise, há espaço para repasses moderados, já que a queda foi mais intensa no campo e no atacado. No entanto, os reajustes devem ocorrer de forma seletiva, condicionados à renda das famílias, ao nível de consumo e às estratégias comerciais adotadas pelas redes varejistas.

Importações seguem no radar

No comércio exterior, as importações de lácteos encerraram 2025 ainda em níveis elevados, embora abaixo dos volumes registrados em anos anteriores. Em janeiro de 2026, houve leve avanço mensal, mas os números permanecem inferiores aos observados em 2024 e 2025.

A consultoria destaca que o mercado interno continua amplamente abastecido, principalmente em razão da forte produção nacional no último ano. Ainda assim, as importações seguem exercendo papel relevante no equilíbrio da oferta doméstica.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia concorrência

No cenário internacional, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia surge como fator estratégico para o setor a partir de 2026. Em tramitação no Parlamento Europeu, o tratado prevê redução gradual de tarifas e criação de cotas para produtos como leite em pó, manteiga e queijos ao longo de até dez anos.

Embora não estabeleça livre comércio pleno, a ampliação de cotas pode aumentar a presença de produtos europeus no mercado brasileiro, especialmente em segmentos de maior valor agregado e com elevada produtividade.

“Enquanto as exportações do Mercosul para a Europa ainda são residuais, as importações do bloco europeu já têm relevância. As novas cotas ampliam esse espaço e reforçam a necessidade de ganhos de eficiência e competitividade da cadeia regional”, pontua Juliana Torres.

Projeção aponta estabilidade com foco em eficiência

O setor lácteo inicia 2026 com margens comprimidas, mas com perspectiva de recuperação gradual dos preços e ajuste entre produção e consumo ao longo do ano. A consolidação desse cenário dependerá da manutenção de custos estáveis, do desempenho da demanda interna e da adaptação ao ambiente comercial internacional.

A busca por eficiência produtiva, controle de despesas e maior competitividade será determinante para sustentar a rentabilidade da cadeia do leite nos próximos meses.

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