Colheita da soja supera 51% em Mato Grosso, mas excesso de chuva dificulta avanço no campo
Safra 2024/25 está à frente da média histórica, porém umidade elevada preocupa produtores e pode afetar milho safrinha e fluxo de caixa Foto: Reprodução
A colheita da soja em Mato Grosso atingiu 51,01% da área plantada até a última sexta-feira (13), conforme levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço semanal foi de 11,40 pontos percentuais, mas o ritmo dos trabalhos ainda enfrenta entraves provocados pelo excesso de chuvas em diversas regiões produtoras.
Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), os acumulados pluviométricos dos últimos quinze dias variaram entre 90 milímetros e 150 milímetros, dificultando a entrada das máquinas nas lavouras. Além de atrasar a operação no campo, a umidade elevada pode comprometer a qualidade dos grãos, especialmente em áreas onde a colheita já estava programada.
Apesar das adversidades climáticas, a temporada 2024/25 apresenta desempenho ligeiramente superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior, com 0,94 ponto percentual à frente. O percentual atual também supera a média dos últimos cinco anos para o período, que é de 42,92%.
Regiões em ritmos distintos
O levantamento aponta diferenças significativas entre as regiões produtoras. O médio-norte e o oeste lideram o avanço, com 72,40% e 70,24% das áreas colhidas, respectivamente. Já o nordeste e o sudeste apresentam os índices mais baixos, com 29,53% e 27,94%, refletindo maior impacto das chuvas e condições de solo mais restritivas para as máquinas.
Reflexos no milho e nas finanças
O presidente da Aprosoja-MT, Lucas Costa Beber, destacou que o plantio da soja ocorreu em uma janela mais alongada por causa das condições climáticas irregulares, o que tende a provocar uma colheita mais tardia em determinadas regiões.
“O cultivo da oleaginosa se estendeu além do previsto, o que pode impactar diretamente a janela ideal para o plantio do milho segunda safra”, afirmou.
A preocupação também se estende ao cumprimento de contratos previamente firmados. O diretor administrativo da entidade, Diego Bertuol, avalia que os atrasos no plantio e agora na colheita afetam o fluxo de caixa dos produtores logo no início do ciclo produtivo.
“Com o atraso na entrega da produção, muitos produtores enfrentam maior dificuldade para honrar compromissos e organizar o financeiro da safra, o que gera impacto direto na sustentabilidade econômica das propriedades”, ressaltou.
Outro ponto de atenção, segundo a Aprosoja-MT, envolve áreas de ciclo mais tardio, onde há aumento da pressão de pragas e doenças, como percevejo, mosca-branca e ferrugem asiática, fatores que podem comprometer a produtividade final.
Milho avança, mas pode desacelerar
A semeadura do milho para a safra 2025/26 alcançou 46,07% da área prevista até a última semana. No entanto, a expectativa da entidade é de desaceleração nos próximos dias, acompanhando o possível atraso na colheita da soja em parte do estado.
As projeções climáticas indicam acumulado de chuva entre 65 milímetros e 95 milímetros para algumas regiões na próxima semana, cenário que pode limitar temporariamente o avanço das máquinas tanto na colheita quanto no plantio do milho.






