• 13 de fevereiro de 2026
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POLÍTICA

Câmara de Alto Garças banca auxílio de até R$ 1 mil para vereadores usarem até em academia — luxo oficial pago pelo contribuinte

Resolução cria benefício mensal para parlamentares e servidores do Legislativo enquanto parte da população enfrenta renda apertada e depende de programas sociais
Foto: Reprodução

A Câmara Municipal de Alto Garças decidiu inovar na lista de prioridades do gasto público: aprovou uma resolução que cria auxílio de assistência à saúde suplementar de até R$ 1 mil por mês para vereadores e servidores do Legislativo — valor que pode ser usado inclusive para pagar academia. Em outras palavras, enquanto o morador comum ajusta o orçamento para caber remédio, consulta e alimentação, o dinheiro público agora também pode ajudar a custear o treino da classe política.

A própria previsão orçamentária da Câmara estima impacto de cerca de R$ 228 mil em 2026 e de R$ 239,4 mil em 2027. Não é erro de digitação. É planejamento oficial. É o cofre público abrindo para garantir bem-estar privado de quem já está na folha.

O discurso é sempre embalado em termos nobres — “saúde”, “qualidade de vida”, “prevenção”. Mas o efeito concreto é direto: cria-se mais um benefício interno, restrito, seletivo e pago pelo contribuinte. Não é para o cidadão. Não é para o idoso da fila. Não é para a família de baixa renda. É para dentro do prédio do poder.

Num município de porte pequeno, com renda média limitada e presença de famílias dependentes de transferência de renda, a medida soa como deboche administrativo. O trabalhador que acorda cedo, paga imposto no consumo e luta para manter o básico agora ajuda, sem ser consultado, a financiar política de bem-estar premium para agente público.

E há um ponto que pesa ainda mais: o benefício é criado por quem vai recebê-lo. Vereadores aprovam regra que beneficia vereadores e estrutura próxima. Legal? Sim. Moralmente defensável diante da realidade social local? A pergunta fica constrangedora — e a resposta, evidente.

Não se trata de ilegalidade. Trata-se de escolha. Escolha de prioridade. Escolha de sinal político. Escolha de mostrar, sem rodeio, para quem o sistema corre primeiro quando a porta do orçamento se abre.

No fim, a mensagem que fica para a população é simples e dura: para o cidadão, contenção. Para o poder, suplemento.

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