Polícia Civil avança na Operação Short Code e impõe restrições a investigados por ataques virtuais a cooperativa de saúde
Terceira fase da operação cumpre medidas cautelares em Mato Grosso e Goiás e marca etapa final do inquérito Foto: Polícia Judiciária Civil
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta fase mais recente da Operação Short Code, o cumprimento de quatro medidas cautelares contra investigados por crimes cibernéticos e crimes contra a honra praticados contra a atual diretoria de uma cooperativa de plano de saúde com sede em Cuiabá. A investigação apura calúnia, difamação, injúria majorada, uso de identidade falsa e associação criminosa.
As ordens judiciais estão sendo cumpridas em Cuiabá, além dos municípios de Aparecida de Goiânia e Morrinhos, no Estado de Goiás. Entre as determinações, estão a proibição de qualquer tipo de contato ou comunicação entre os investigados, a desativação de redes sociais e de um site criado especificamente para ataques à cooperativa e seus dirigentes, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 300 mil.
A decisão judicial também impõe restrições rigorosas sobre o uso de plataformas digitais. Os investigados ficam proibidos de realizar postagens diretas ou indiretas, inclusive por meio de terceiros, em perfis pessoais, institucionais, anônimos, “espelho”, páginas, canais, grupos, listas de transmissão ou contas geridas, financiadas, impulsionadas ou coordenadas por eles, envolvendo qualquer conteúdo relacionado à cooperativa, seus diretores ou prestadores de serviço. O descumprimento pode gerar multa de R$ 10 mil por postagem.
De acordo com o delegado Sued Dias da Silva Júnior, responsável pelo caso, esta terceira fase representa o encerramento da investigação no âmbito policial. Segundo ele, os interrogatórios finais e o relatório conclusivo do inquérito serão finalizados nos próximos dias, com posterior encaminhamento ao Ministério Público, para análise e eventual propositura de ação penal contra os envolvidos.
As apurações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) e tiveram início em 2024, após a identificação de um site falso que disseminava informações fraudulentas contra o plano de saúde e seus gestores. No avanço das diligências, a polícia descobriu uma estrutura organizada, responsável por disparos em massa de mensagens e manutenção de portais e perfis digitais usados exclusivamente para campanhas de ataque.
O inquérito identificou ainda o uso de serviços de “short codes”, sistema normalmente utilizado para envio de mensagens corporativas, marketing e atendimento ao cliente, como ferramenta para o envio de SMS difamatórios em larga escala. As mensagens direcionavam médicos cooperados a conteúdos com acusações anônimas contra os dirigentes da cooperativa, caracterizando uma ação coordenada de desinformação e ataques à reputação institucional.
Com a conclusão da fase investigativa, o caso entra agora na etapa de responsabilização criminal, com possível judicialização e abertura de ações penais contra os autores identificados.






