Abate recorde de fêmeas em Mato Grosso acende alerta sobre futuro do rebanho
Liquidação de vacas jovens impulsiona números históricos, mas compromete reposição, pressiona preços e ameaça equilíbrio da cadeia produtiva Foto: Reprodução
Mato Grosso registrou, em 2025, o maior volume de abate de fêmeas de sua história: 3,61 milhões de cabeças, alta de 4,3% em relação ao ano anterior. O movimento foi decisivo para que o estado alcançasse o total de 7,46 milhões de bovinos abatidos, recorde absoluto da pecuária estadual. O dado, porém, trouxe um sinal de alerta ao setor.
Mais do que o descarte de matrizes envelhecidas, o que se consolidou foi a saída precoce de fêmeas jovens do sistema produtivo, direcionadas a mercados premium e à exportação. Como resultado, animais com menos de 24 meses passaram a representar 43% de todo o abate, somando 3,23 milhões de cabeças, o maior percentual da série histórica.
De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a estratégia de “caixa rápido” vem comprometendo a base reprodutiva do rebanho. Em diversos meses de 2025, o abate de fêmeas ultrapassou 50% das operações nos frigoríficos, reduzindo o número de ventres disponíveis para cria e travando a reposição no campo.
O impacto já aparece nos números: o rebanho de bezerros encolheu 2,09%, enquanto o preço do animal de 7 arrobas disparou 38,7%, encarecendo a reposição e pressionando a margem dos produtores.
Para 2026, a projeção é de menor oferta de animais terminados, reflexo direto do elevado descarte de fêmeas nos últimos três anos. A tendência aponta para possível valorização do boi gordo, mas com um desafio estratégico: manter o ritmo das exportações diante das incertezas do mercado chinês.
A avaliação técnica é clara: o recorde de hoje pode se transformar em escassez amanhã. Com menos base reprodutiva, o setor entra em um novo ciclo, no qual a sustentabilidade do rebanho, a diversificação de mercados e o equilíbrio entre produção e exportação passam a ser fatores decisivos para a estabilidade da pecuária mato-grossense.






