• 3 de fevereiro de 2026
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AGRONEGÓCIO

Soja entra no começo de fevereiro sob pressão de oferta, clima irregular e volatilidade cambial

Avanço da colheita no Centro-Oeste acelera entrada de produto no mercado, enquanto La Niña impõe riscos às lavouras do Sul e limita reações mais firmes nos preços.
Foto: Reprodução

O mercado da soja chegou à última semana de janeiro em um ambiente de atenção simultânea ao clima, à colheita e ao comportamento dos preços internacionais. No Centro-Oeste, especialmente em áreas produtoras como Mato Grosso, as condições climáticas mais favoráveis permitiram maior avanço das colheitadeiras, imprimindo ritmo às operações de campo e ampliando a disponibilidade de grãos no mercado físico.

Em sentido oposto, o Rio Grande do Sul permanece sob monitoramento constante devido aos impactos do La Niña, com chuvas irregulares e temperaturas elevadas que vêm provocando estresse hídrico e térmico nas lavouras, especialmente em fases reprodutivas, o que mantém o risco produtivo no radar de produtores e agentes de mercado.

Com a colheita ganhando velocidade nos principais polos produtores, o mercado fechou o período pressionado pela maior entrada de oferta, cenário típico desta fase do calendário agrícola. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros testaram níveis técnicos de suporte, com o vencimento março operando próximo de US$ 10,64 por bushel, refletindo a combinação entre pressão sazonal e ausência de estímulos altistas mais consistentes no curto prazo.

A chegada da nova safra brasileira, com destaque para o volume originado em Mato Grosso, reforçou o movimento de acomodação dos preços no mercado internacional, limitando reações mais expressivas e consolidando um ambiente de cautela entre compradores e vendedores.

Mercado interno e câmbio

No cenário doméstico, os preços também registraram movimento de recuo nos portos, influenciados pela leve baixa em Chicago e pela dinâmica cambial. O dólar encerrou o período ao redor de R$ 5,25, após dias de forte volatilidade, em meio a fatores internos e externos, especialmente decisões recentes de política monetária que ditaram o tom das oscilações cambiais.

A combinação entre mercado externo mais fraco e câmbio menos pressionado resultou em comportamento misto dos prêmios portuários. O Índice Soja FOB Santos encerrou a semana em R$ 128,27, com leve recuo, enquanto o Índice Soja FOB Rio Grande fechou cotado a R$ 130,90, também em queda no período, refletindo a maior oferta disponível e a disputa por espaço logístico.

Projeções para fevereiro

Para o início de fevereiro, o foco do mercado se desloca para dois vetores principais: logística e clima no Brasil. As previsões indicam chuvas acima da média no Centro-Oeste e no Sudeste, o que pode comprometer o ritmo da colheita em estados como Mato Grosso e dificultar o escoamento da produção, especialmente nas rotas rodoviárias.

Caso esse cenário se confirme, a tendência é de elevação dos custos de frete e possível sustentação dos prêmios nos portos, diante da maior dificuldade de originação rápida de soja para exportação.

No campo macroeconômico, o mercado acompanha os Estados Unidos, com expectativa em torno da divulgação de dados de emprego, que podem influenciar diretamente o comportamento do dólar e, por consequência, das commodities negociadas em Chicago. No Brasil, as atenções se voltam para os desdobramentos da política monetária, com análise dos próximos sinais do Banco Central.

Somado a esse contexto, a proximidade do Ano Novo Lunar na China tende a reduzir o ritmo de novos negócios internacionais, tradicionalmente impactando o fluxo comercial no curto prazo e adicionando mais um elemento de cautela ao mercado global da soja.

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