Paralisia nas licitações trava execução de recursos e gera desgaste político em Primavera do Leste
Com processos emperrados, Prefeitura acumula obras não iniciadas, emendas paradas e crescente pressão interna sobre a Secretaria de Administração Foto: Reprodução
A Prefeitura de Primavera do Leste vive um cenário de paralisia administrativa que começa a produzir efeitos concretos na execução de políticas públicas e, principalmente, no desgaste político da atual gestão. Levantamento interno de dados da própria administração aponta que uma parte significativa das licitações estratégicas do município encontra-se atrasada, suspensa ou em reanálise, mesmo com recursos já assegurados por meio de emendas parlamentares e convênios com o Governo do Estado.
Na prática, o município enfrenta hoje um paradoxo que se tornou recorrente nos bastidores políticos: há dinheiro disponível, mas a máquina administrativa não consegue transformar esses recursos em obras, serviços e entregas efetivas para a população.
Fontes da própria gestão admitem que dezenas de milhões de reais permanecem parados por entraves técnicos, falhas processuais e sucessivas revisões em editais, especialmente nas áreas de infraestrutura, saúde e educação. Em alguns casos, processos já abertos há meses seguem sem conclusão, enquanto outros foram suspensos por apontamentos do Tribunal de Contas, exigindo readequações que ampliam ainda mais os prazos.
O gargalo, segundo interlocutores da administração, está concentrado justamente na condução dos processos internos. A Secretaria de Administração, responsável direta pela tramitação das licitações, passou a ser apontada como o principal foco de críticas dentro do próprio governo, acusada de lentidão, excesso de burocracia e dificuldade de dar vazão às demandas estratégicas da gestão.
O impacto político é direto. Com obras não iniciadas, serviços represados e recursos sem execução, a imagem do prefeito começa a ser associada à ideia de ineficiência administrativa, mesmo quando os projetos já possuem viabilidade financeira assegurada. Nos bastidores, aliados admitem que o desgaste não nasce na ponta política, mas no miolo da estrutura técnica da Prefeitura.
“Hoje o problema não é falta de dinheiro, é falta de ritmo. A gestão tem recursos, mas não consegue transformar isso em ação concreta”, resume um interlocutor que acompanha diariamente a tramitação dos processos.
Além da pressão interna, a situação também gera ruído externo. Deputados estaduais e federais que destinaram emendas ao município cobram publicamente a execução dos recursos, enquanto órgãos de controle mantêm sob análise diversos procedimentos que não avançam por inconsistências formais ou falhas de planejamento.
O efeito colateral desse cenário é a erosão silenciosa da credibilidade política da gestão. A lentidão administrativa passou a ser vista como o principal obstáculo ao avanço do governo, transformando promessas em anúncios sem materialização e criando um ambiente de frustração tanto na base aliada quanto na população.
Nos bastidores políticos, cresce a percepção de que a paralisia interna pode se tornar o principal fator de desgaste da atual administração ao longo do mandato. Não por falta de projetos, recursos ou apoio institucional, mas por incapacidade operacional de fazer a máquina pública funcionar no tempo que a cidade exige.





