Ex-servidores são presos em operação que investiga fraude, corrupção e manipulação de dados públicos
Apuração aponta inserção de dados falsos, corrupção e associação criminosa; prejuízo pode chegar a R$ 500 mil Foto: Reprodução
Dois ex-servidores públicos de Cuiabá foram presos na manhã desta terça-feira (19) durante a Operação Déjà Vu, deflagrada pela Polícia Civil com foco na apuração de inserção de dados falsos na Procuradoria-Geral do Município, além de indícios de corrupção e associação criminosa. Um terceiro investigado segue foragido.
A ação é coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), que cumpre três mandados de prisão, 12 mandados de busca e apreensão, além de nove medidas cautelares diversas da prisão, o afastamento de três servidores públicos e o sequestro de quatro bens, avaliados em quase R$ 500 mil.
Entre os presos estão Adriano Henrique Escame de Oliveira e Matheus Henrique do Nascimento Pereira. O terceiro alvo com mandado de prisão ainda não foi localizado. Outros investigados foram alvos apenas de buscas.
As investigações tiveram início em abril de 2025, a partir de uma notícia de fato encaminhada pelo próprio órgão municipal ao fim do primeiro trimestre do ano. No curso da apuração, a Polícia Civil representou por medidas destinadas a evitar a destruição de provas, preservar a instrução processual e assegurar eventual ressarcimento ao erário, por meio de constrições patrimoniais.
Esquema investigado
Segundo a Deccor, há indícios de uso indevido de credenciais internas, como logins e senhas, bem como da manipulação de rotinas administrativas para a realização de lançamentos e cancelamentos irregulares em sistemas oficiais. As práticas teriam potencial impacto direto na arrecadação municipal e na regularidade de registros administrativos.
A investigação também apura possíveis vantagens indevidas, supostamente vinculadas a “intermediações” e a falsos “serviços” relacionados à alteração desses registros.
As ordens judiciais têm como objetivo principal a coleta, preservação e análise de provas, com atenção especial a dispositivos eletrônicos e registros digitais, considerados fundamentais para o esclarecimento dos fatos.
Origem do nome
O nome Déjà Vu faz referência à repetição de padrões operacionais identificados ao longo da investigação, especialmente quanto a lançamentos e cancelamentos que, em tese, se repetiam de forma semelhante, exigindo aprofundamento técnico e rastreabilidade digital.






