China impõe salvaguardas e deve redefinir o mercado global de carne bovina em 2026
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O início de 2026 promete ser desafiador para a cadeia global da carne bovina, especialmente para grandes exportadores como Brasil, Estados Unidos e Austrália. O governo chinês concluiu recentemente uma investigação sobre os impactos das importações na indústria local e decidiu adotar medidas de salvaguardas comerciais para proteger seus produtores. As novas regras entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026 e terão validade até 2028.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a criação de quotas de importação deve alterar de forma significativa o equilíbrio mundial do setor. “Ao impor limites às compras externas sob o argumento de prejuízo à indústria doméstica, a China pode provocar uma sobra de oferta global e, consequentemente, uma queda expressiva nos preços da carne bovina”, explica.
Brasil mantém maior cota, mas enfrenta riscos nas exportações
Entre os países afetados, o Brasil continua sendo o principal fornecedor de carne bovina para a China, mas com restrições mais severas. As novas quotas de importação definem um limite de 1,106 milhão de toneladas para o Brasil em 2026 — dentro de um total de 2,7 milhões de toneladas autorizadas pelo governo chinês.
Apesar de manter a maior fatia, a decisão preocupa o setor. Isso porque o Brasil depende fortemente do mercado chinês, que absorve a maior parte das exportações do país. “Será necessário buscar compensações em outros destinos, como Estados Unidos, União Europeia e Japão, para evitar impactos mais profundos”, destaca Iglesias.
A Safras & Mercado projeta que o Brasil exportará 4,577 milhões de toneladas de carne bovina em equivalente carcaça em 2026, o que representa uma queda de 8,62% em relação ao volume estimado para 2025, de 5,009 milhões de toneladas.
Abates devem cair com a inversão do ciclo pecuário
O cenário internacional incerto e a inversão do ciclo pecuário devem resultar em menor volume de abates no Brasil em 2026. De acordo com as projeções da Safras & Mercado, o total deve alcançar 39,912 milhões de cabeças, o que representa uma redução de 2,76% em relação ao recorde esperado para 2025, de 41,044 milhões de cabeças.
A participação de fêmeas nos abates deve recuar, representando cerca de 43% do total, ou 17,15 milhões de cabeças. A produção nacional de carne bovina também deve diminuir, alcançando 10,984 milhões de toneladas em equivalente carcaça, 3,58% abaixo do recorde histórico previsto para 2025.
Preços internos podem cair, mas consumo segue limitado
A possibilidade de queda nos preços ao consumidor brasileiro em 2026 depende diretamente do ritmo das exportações para a China. Com a redução nas compras do país asiático, o mercado interno pode ser favorecido por uma maior oferta de carne e preços mais acessíveis.
Entretanto, o analista Fernando Iglesias alerta que o consumo interno ainda enfrentará barreiras. “Mesmo com cortes mais baratos, o poder de compra do consumidor segue comprometido por fatores macroeconômicos, como endividamento elevado, juros altos e crédito restrito”, afirma.
A oferta doméstica de carne bovina deve atingir 6,453 milhões de toneladas em 2026, um leve aumento de 0,51% em relação a 2025, quando devem ser disponibilizadas 6,420 milhões de toneladas ao mercado interno.
Custo menor dos grãos deve impulsionar confinamento bovino
A expectativa de uma safra robusta de milho e soja no ciclo 2025/26 traz boas perspectivas para a atividade de confinamento no Brasil. A Safras & Mercado estima que os custos de produção permanecerão atrativos, favorecendo o aumento do número de animais confinados.
“Esperamos que o confinamento em 2026 supere o recorde estimado para 2025, que é de 8,371 milhões de cabeças, podendo alcançar 9 milhões de cabeças”, projeta Iglesias.
A estimativa é sustentada por uma colheita recorde de soja, acima de 178 milhões de toneladas, e uma produção de milho superior a 143 milhões de toneladas. Esses resultados devem manter os custos sob controle e fortalecer a rentabilidade dos pecuaristas.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio






