• 4 de abril de 2025
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Seca deve reduzir produção de trigo na Austrália em 16% na safra 2025/26

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A produção de trigo na Austrália deve registrar uma queda de 16% na safra que se inicia em 1º de julho de 2025, em comparação com o ciclo anterior, quando o país colheu um volume recorde. A redução é atribuída à seca em algumas regiões, que compromete a umidade do solo, trazendo as projeções para um patamar mais alinhado às médias históricas, segundo analistas e traders do setor.

Terceiro maior exportador mundial de trigo, a Austrália inicia o plantio deste mês em um cenário de oferta global apertada, o que tende a sustentar os preços do grão. Embora os principais estados produtores, Nova Gales do Sul e Austrália Ocidental, ainda apresentem boas condições de umidade no solo, agricultores em Victoria e na Austrália do Sul enfrentam um cenário adverso, com secas severas que podem impactar o rendimento das lavouras.

“Não há umidade no subsolo em Victoria ou na Austrália do Sul. No ano passado, houve pouca chuva na colheita, mas pelo menos contávamos com umidade no subsolo para o plantio”, explicou Stefan Meyer, chefe da equipe de negociação de grãos da corretora StoneX, em Sydney. “O potencial da safra deste ano parece estar dentro da média ou ligeiramente acima, mas o mercado já indica problemas”, completou.

No mercado físico, os preços do trigo para ração dispararam, alcançando 385 dólares australianos (US$ 241) por tonelada para entrega em junho, na região de Adelaide. O valor representa uma alta em relação aos US$ 355 praticados desde a colheita em novembro, mesmo diante da desvalorização dos futuros de trigo na Bolsa de Chicago para 2025.

Estimativas de produção

De acordo com a média de cinco analistas e traders consultados pela Reuters, a produção de trigo na Austrália deve totalizar 28,6 milhões de toneladas métricas na safra 2025/26, o que representa uma retração de 16,1% em relação às 34,1 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. As previsões variam entre 27 milhões e 30,75 milhões de toneladas.

Em março, o Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics and Sciences (ABARES) projetou a produção em 30,5 milhões de toneladas.

“Victoria e a Austrália do Sul enfrentam um período seco há meses”, destacou Palwinder Singh, da empresa de comércio de grãos e oleaginosas Marina Commodities, de Melbourne. “Se houver chuvas nos próximos meses, a situação pode melhorar. Por enquanto, nossa estimativa gira em torno de 28 milhões de toneladas.”

A redução da safra australiana ocorre em um momento crítico para o mercado global. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que os estoques mundiais de trigo podem cair para o menor nível em nove anos, chegando a 260,08 milhões de toneladas até o final de junho.

“Nossa projeção é de que os preços globais do trigo subam ao longo de 2025 devido à redução da oferta na temporada 2025/26”, informou a BMI Research, unidade do Fitch Group, em relatório.

Desafios climáticos e logísticos

Além da seca, os produtores também enfrentam desafios causados pelo excesso de chuvas em algumas regiões. De acordo com Meyer, da StoneX, Nova Gales do Sul e Queensland receberam volumes expressivos de precipitação na última semana, com acumulados de até 200 mm.

“Há áreas em que os pastos estão completamente alagados, o que pode dificultar a entrada de máquinas para o plantio de trigo e cevada de inverno”, alertou.

A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, também deve reduzir suas vendas externas no primeiro semestre de 2025, o que pode pressionar ainda mais o mercado global.

(US$ 1 = A$ 1,5977)

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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