A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (24), a influenciadora Mariany Dias, de 20 anos, durante a Operação Quéfren, que visa desmantelar um grupo envolvido na divulgação e incentivo a jogos ilegais no Brasil, incluindo o conhecido ‘Jogo do Tigrinho’. Outra influenciadora alvo da ação, Emilly Souza, está foragida.
A operação ocorre simultaneamente nos estados do Ceará, São Paulo e Pará. Em Mato Grosso, foram expedidos seis mandados, sendo dois de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão contra as investigadas.
Segundo informações obtidas pela reportagem, Mariany foi detida em sua residência, no condomínio Florais da Mata, em Várzea Grande. Com 36,1 mil seguidores no Instagram, ela promovia a plataforma de apostas e compartilhava supostos depoimentos de usuários que teriam lucrado com os jogos. Além disso, a jovem é estudante de odontologia da Univag. Na ação, os policiais da Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes de Cuiabá apreenderam seu celular e notebook.
Já Emilly Souza, que possui 95 mil seguidores, não foi localizada e segue sendo procurada pela polícia.
Detalhes da operação
Coordenada pela Polícia Civil do Ceará, a Operação Quéfren tem como objetivo cumprir aproximadamente 70 mandados contra envolvidos na promoção de jogos de azar e suspeitos de lavagem de dinheiro.
Foram expedidas pelo 1º Núcleo de Custódia/Garantias da Comarca de Juazeiro do Norte (CE) um total de 13 mandados de prisão, 17 de busca e apreensão, 23 de busca veicular, além de 15 ordens de bloqueio de bens e valores.
Os alvos estão distribuídos em diversas cidades, incluindo Juazeiro do Norte, Fortaleza, Itaitinga e Eusébio (CE), São Paulo, Embu das Artes e Santana de Parnaíba (SP), Cuiabá e Várzea Grande (MT), além de Marabá (PA).
Investigação e esquema
Desde abril de 2024, a Polícia Civil do Ceará apura a atuação de agentes de plataformas que contratavam influenciadores para divulgar cassinos online. A investigação aponta indícios de lavagem de dinheiro, estelionato e a existência de uma organização criminosa de alcance transnacional.
Os influenciadores usavam suas redes sociais para promover apostas ilegais, gravando vídeos e publicando imagens de supostos ganhos em plataformas de cassino online. As postagens tinham como objetivo atrair novos apostadores.
Além disso, os investigados utilizavam contas de demonstração para simular ganhos falsos e enganar seus seguidores. Os influenciadores eram remunerados de diferentes formas: pagamento por postagem, comissões sobre novos cadastros ou uma porcentagem dos valores apostados pelas vítimas. O esquema movimentou milhões de reais nos últimos anos.
Os chefes das plataformas também financiavam viagens internacionais para influenciadores e agentes do esquema, que exibiam o luxo em suas redes sociais para atrair mais apostadores. Além disso, realizavam eventos exclusivos para lançar novas plataformas.
As investigações seguem em andamento, e a polícia continua as buscas para localizar todos os envolvidos.