• 31 de março de 2025
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Mecanização Agrícola no Brasil: Estudo Revela Desafios e Desigualdades no Setor

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A agricultura brasileira, um dos pilares da economia nacional, enfrenta desafios profundos e contrastantes em sua estrutura produtiva. Enquanto as grandes propriedades dominam a mecanização e a produção, as pequenas propriedades, que representam a maioria no país, ainda encontram obstáculos para acessar tecnologias avançadas. A crescente diferença entre grandes e pequenas propriedades torna o cenário da mecanização agrícola mais complexo e difícil de mapear, gerando questões sobre a distribuição e uso das máquinas no campo.

De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, 81,4% dos estabelecimentos agrícolas possuem menos de 50 hectares, mas ocupam apenas 12,8% da área total. Em contraste, as propriedades com mais de 2.500 hectares representam apenas 0,3% dos estabelecimentos, mas concentram 32,8% das terras agrícolas. Esse desequilíbrio territorial torna a análise da mecanização no campo uma tarefa desafiadora, levantando perguntas sobre a localização das máquinas, as culturas que mais demandam investimentos tecnológicos e as reais necessidades do setor.

Até o momento, essas questões não tinham respostas claras, mas o Panorama Setorial “Decifrando o Cenário de Máquinas Agrícolas”, conduzido pela [BIM]³ – Boschi Inteligência de Mercado, promete oferecer um levantamento inédito sobre a frota nacional de tratores, pulverizadores e colheitadeiras.

“Este estudo trará uma visão aprofundada sobre a mecanização no campo, com foco em propriedades acima de 200 hectares”, explica Luís Henrique Vinha, sócio-conselheiro do Panorama Setorial. “Embora 30% das propriedades possuam menos de 200 hectares, a maior parte da frota de máquinas está nas médias e grandes propriedades, que representam 70% da área rural do país. Focando nesse segmento, a pesquisa proporcionará uma visão estratégica mais fiel do mercado de máquinas, sem excluir os pequenos produtores, mas oferecendo um diagnóstico preciso sobre os padrões de mecanização e seus impactos na produtividade agrícola.”

Este estudo será um marco para o setor, fornecendo um levantamento detalhado sobre a distribuição da frota de máquinas, a idade média dos equipamentos, os hábitos de compra e manutenção, além das perspectivas para inovação tecnológica e financiamento. “Em um país de dimensões continentais, mapear com rigor estatístico a frota de máquinas autopropelidas é um grande desafio”, ressalta Vinha.

A realidade da frota agrícola brasileira

A mecanização agrícola no Brasil acompanha as especificidades de cada cultura. Grandes produtores de grãos, cana-de-açúcar e algodão têm investido fortemente na renovação da frota para otimizar a eficiência e reduzir custos operacionais. Já as pequenas propriedades, com menor capacidade de investimento, optam por alternativas como locação de máquinas, compra de equipamentos usados ou a adaptação de máquinas mais antigas.

O estudo proporcionará um mapeamento detalhado da frota agrícola, considerando sua distribuição por região, tipo de cultura e porte das propriedades. Além disso, será possível identificar a idade média dos equipamentos e os fatores que influenciam as decisões de compra, assim como a percepção de marca, preferências por peças de reposição e os hábitos de manutenção, além dos impactos das novas tecnologias na escolha dos produtores.

Dados estratégicos para o setor

As máquinas agrícolas são fundamentais para a competitividade do agronegócio brasileiro, setor que representa uma parte significativa do PIB do país. No entanto, a idade avançada da frota e a crescente demanda por tecnologias mais eficientes e sustentáveis têm intensificado o debate sobre a necessidade de modernização da mecanização agrícola.

A frota de máquinas agrícolas é um ativo estratégico para o agronegócio, mas até o momento não existia um levantamento detalhado sobre sua dimensão real e estado de conservação. “Com esse estudo, fabricantes, fornecedores de peças, instituições financeiras e formuladores de políticas públicas terão, pela primeira vez, uma visão precisa e abrangente da mecanização agrícola nacional”, afirma Vinha.

A coleta de dados teve início em fevereiro de 2025, e a divulgação dos resultados está prevista para julho deste ano. A entrega final contará com relatórios detalhados e dashboards interativos, permitindo uma análise aprofundada e personalizada para os diversos setores do mercado.

Com dados mais precisos, o setor agrícola brasileiro estará mais bem preparado para tomar decisões estratégicas que moldarão o futuro da mecanização no campo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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