• 30 de março de 2025
#Agronegócio

Brasil se consolida como líder na exportação de algodão, mas setor enfrenta desafios climáticos

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O Brasil alcançou um marco significativo ao se tornar o maior exportador global de algodão na safra 2023/2024, conforme dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). No entanto, o setor enfrenta desafios cada vez maiores em razão das mudanças climáticas, que afetam diretamente a produtividade e a qualidade da fibra brasileira.

A produção de algodão no Cerrado, responsável por 70% da oferta nacional, tem sido impactada por temperaturas elevadas, baixa umidade e períodos prolongados de seca. De acordo com o pesquisador Cornélio Alberto Zolin, da Embrapa Agrossilvipastoril, a adaptação do setor depende de três fatores essenciais: melhoramento genético, manejo do solo e análise de risco climático.

O melhoramento genético tem se mostrado crucial para o desenvolvimento de variedades mais resistentes ao calor. “O algodão é sensível a altas temperaturas noturnas, o que compromete a formação da fibra”, explica Zolin. No que se refere ao manejo do solo, práticas como o plantio direto e a cobertura vegetal contribuem para a conservação da umidade e minimizam os efeitos do estresse hídrico. Além disso, o Zoneamento Agrícola de Riscos Climáticos (ZARC) permite que os produtores escolham o melhor período para o plantio, visando reduzir as perdas.

Estudos da Embrapa apontam que, desde 1961, a temperatura média no Cerrado aumentou entre 2°C e 4°C, enquanto a umidade relativa do ar diminuiu em cerca de 15%. Esse calor excessivo acelera o ciclo de vida de pragas, como o bicudo-do-algodoeiro e a mosca-branca, exigindo monitoramento constante e o uso de tecnologias avançadas, como drones e armadilhas inteligentes, para reduzir os danos.

Para mitigar os impactos climáticos, os produtores estão investindo em práticas sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o controle biológico de pragas. “A diversificação das lavouras melhora a saúde do solo e torna o sistema produtivo mais resiliente”, afirma Odair Aparecido Fernandes, especialista em Manejo Integrado de Pragas da UNESP.

A certificação socioambiental também tem se tornado um diferencial competitivo para o algodão brasileiro no mercado internacional. Selos como o Better Cotton Initiative (BCI) asseguram que a produção siga padrões sustentáveis, agregando valor ao produto.

Em Minas Gerais, a escassez de chuvas entre fevereiro e março afetou as lavouras de sequeiro, comprometendo o potencial produtivo. Lício Augusto Pena de Sairre, diretor-executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), destaca que os agricultores enfrentaram ciclos mais curtos e perdas na formação dos botões florais. “Estamos incentivando o uso de práticas como plantio direto e aumento da matéria orgânica no solo para minimizar os impactos”, afirma.

Diante da continuidade dos desafios climáticos, o setor algodoeiro aposta em inovação e sustentabilidade para manter sua competitividade no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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