Mercado da Soja: Brasil Impulsiona Oferta Global em Meio a Oscilações de Preços
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O relatório mais recente da Consultoria Agro do Itaú BBA apresenta uma análise detalhada dos fatores que influenciam o mercado da soja, destacando os impactos da safra sul-americana e das políticas tarifárias internacionais. O documento aponta variações nos preços em Chicago, revisões na produção brasileira e mudanças na dinâmica do comércio global.
Oscilações nos preços em Chicago e mercado interno
Após registrar alta em janeiro, os preços da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) seguiram em ascensão ao longo de fevereiro. No entanto, na primeira quinzena de março, houve uma reversão dessa tendência, resultando em uma queda de 3,5%, com a cotação recuando de USD 10,40/bushel para USD 10,04/bushel. Esse movimento foi impulsionado pelo avanço da colheita no Brasil e pela imposição de tarifas comerciais entre os Estados Unidos e a China.
No Brasil, o comportamento dos preços foi diferente. Em fevereiro, houve recuo nas cotações internas, mas, em março, observou-se um movimento de recuperação. A Conab revisou para cima a estimativa de produção nacional, elevando a safra para 167,4 milhões de toneladas, impulsionada por produtividades superiores às expectativas iniciais.
A pressão da colheita impactou os preços em Sorriso (MT), onde a cotação caiu 8,7% em fevereiro, atingindo R$ 106,40 por saca. No entanto, o fortalecimento dos prêmios de exportação, impulsionado pela baixa nos estoques chineses e pela demanda aquecida, favoreceu a recuperação das cotações em março. O prêmio médio no porto de Paranaguá subiu de 18 centavos de dólar por bushel em fevereiro para 56 centavos na primeira quinzena de março.
A Conab também revisou a produtividade média da soja brasileira para 3.527 kg/ha, um aumento de 0,8% em relação à projeção anterior. O crescimento foi mais expressivo no Centro-Oeste, Piauí e Tocantins, com destaque para Mato Grosso (+2,9%), Goiás (+7,4%), Piauí (+4,6%) e Tocantins (+3,4%).
Safra recorde brasileira e impacto global
O relatório de março do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não trouxe alterações significativas no balanço de oferta e demanda norte-americano. No entanto, os estoques chineses continuam em queda, refletindo atrasos nos embarques do Brasil e uma menor dependência da soja dos EUA, alinhada ao Plano Quinquenal chinês para 2026-2030.
O USDA reduziu a projeção do preço médio da soja americana de USD 10,10 para USD 9,95 por bushel. Além disso, elevou as estimativas de esmagamento da soja na China para 105 milhões de toneladas (+2 milhões) e na Argentina para 42 milhões de toneladas (+1 milhão). Como consequência, os estoques globais foram ajustados para baixo, de 124 para 121 milhões de toneladas.
As projeções de produção para Brasil e Argentina foram mantidas em 169 e 49 milhões de toneladas, respectivamente. A safra recorde brasileira mantém o cenário global com ampla oferta, reforçando o protagonismo do país no abastecimento mundial.
Atualmente, a China está recebendo os volumes de soja embarcados entre dezembro e janeiro, período em que houve atraso na colheita brasileira. Esse fator contribuiu para a redução dos estoques chineses e a desaceleração do processamento local. Entretanto, as exportações brasileiras ganharam força recentemente, com cerca de 9 milhões de toneladas enviadas para a China nas últimas quatro semanas. Esse ritmo tem impulsionado a valorização dos prêmios de exportação, tendência que pode se manter nas próximas semanas, considerando o tempo de chegada dos novos embarques.
Embora a China busque reduzir sua dependência das importações de grãos, a necessidade de compra de soja deve permanecer alta, cada vez mais direcionada ao Brasil. O cenário aponta para um enfraquecimento gradual da presença dos Estados Unidos como fornecedor relevante para o mercado chinês, consolidando o Brasil como parceiro estratégico no comércio global da oleaginosa.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio