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Dia das Mães: filhos não são obstáculos para a vida e sim energia para superar medos e preconceitos

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Ser mãe é uma dádiva, diz o ditado popular que não colaciona as dificuldades da maternidade, principalmente quando o filho recebido é uma pessoa com deficiência, necessita de atenção diferenciada ou chega bagunçando o planejamento familiar. Ainda assim, a maioria das mães que passam por estas experiências são categóricas em dizer que a alegria, o amor e as lições de superação e força de vontade desses pequenos são energia para superar qualquer obstáculo.
 
A desembargadora-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Maria Helena Póvoas, ressaltou que a maternidade é uma alegria, mas é necessário que a mulher saiba aliá-la ao dia a dia de trabalho, seja ele como comandante do lar e/ou em atividades externas à família. Ela explica que são muitas as tarefas das mulheres mães e trabalhadoras, principalmente porque a mulher é, por essência, perfeccionista e não gosta de fazer nada mais ou menos, tudo tem que ser muito perfeito.
 
“A criança precisa da mãe junto de si ainda assim, a mulher precisa cuidar de sua casa e de seu trabalho. Cada mãe tem seu mérito andando por caminhos diversos. Eu me lembro que a primeira vez que participei de uma reunião para que pudesse abrir espaços por onde trilharia para chegar onde estou, fui amparada. Tinha dois dias depois de dois do nascimento de meu primeiro filho, e não teve dúvida e levei o bebê comigo. Por muitas vezes precisei conciliar os dois papéis.”
 
A juíza de Rondonópolis, Maria Mazarelo da Silva resume a maternidade como sendo um dom divino. Ela é mão de João Gabriel (24 anos) e Maralise (21), que tem síndrome de down. Segundo ela, apesar de ter experimentado dores atrozes, aprendeu muito e cresceu também com sua filha e, principalmente, nunca subestimou a inteligência por traz da dificuldade. Ela ressaltou ainda que a intolerância existe e o mundo exterior à família traz perguntas e ingerências que traduzem o preconceito, o qual sempre foi muito dolorido, mas que eles conseguiram superar cada vez se depararam com ele.
 
“Lidar com todas essas realidades juntamente com os desafios que magistratura apresenta, não é tarefa fácil. Depois de decorrido tantos anos fica uma constatação muito interessante dentro da gente. Não fui em quem ensinei. Fui eu quem aprendi. Aprendi, cresci e experimentei dores atrozes, mas a sensação e a experimentação da consciência que dorme e recebe o salário da paz é indefinível. É indescritível. Constatar que agora ela fala, agora ela constrói um raciocínio absurdamente perfeito é maravilhoso. Nunca subestimei a inteligência por trás da síndrome de down.”
 
Já a servidora Ivone Marca passou por desafios diferentes. Mãe de três filhos, ela teve Polianne quando tinha 22 anos e Francielle aos 23. Quando completou 42 anos, em 2008, nasceu o terceiro filho, Arthur. O conhecimento da gravidez de Arthur foi uma enorme surpresa, uma mistura de felicidade e receios, considerando a idade e todas as circunstâncias que cercam a gravidez considerada de risco. Outro desafio foi lidar com a dificuldade de disponibilizar toda a atenção e cuidado necessário a um bebê duas décadas depois, quando as filhas já estavam adultas, situação que trouxe a depressão. Ainda assim Ivone ressalta que se tivesse a chance de voltar no tempo e escolher o futuro de sua vida, passaria por tudo novamente.
 
“A travessia de angústias valeu cada momento quando Deus presenteou-me com o Arthur, um menino lindo, inteligente, sensível e cheio de energia, uma verdadeira benção. Ele é o guri que eu sempre quis ter, que muito desejei desde a primeira vez em que percebi que algum dia seria mãe, já em minha adolescência. Eu enfrento desafios como o fato de ser necessário ter energia compatível a dele, que é incessante, para acompanhá-lo em passeios, dentre eles acampar, dormir em barraca, tomar banho de rio, andar de bicicleta, ir em brinquedos de altura de 41 metros, à 105 km/h, e até ‘lutas’ de rolar pelo chão, afinal, é um menino… são momentos únicos e muito felizes. Ser mãe de Arthur é um renovar permanente! Uma reinvenção diária a fim de proporcionar a ele o melhor de mim.”
 
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Keila Maressa
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
impensa@tjmt.jus.br
 
 

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