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Operação policial no Rio de Janeiro gera polêmica entre deputados

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Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos
Vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos, comanda sessão do Plenário

A operação policial realizada nesta quinta-feira (6) no Jacarezinho, Rio de Janeiro, repercutiu nos discursos de parlamentares no Plenário da Câmara dos Deputados. A operação foi a mais letal da história do estado, foram 25 mortos após intenso tiroteio durante a manhã.

A Câmara fez 1 minuto de silêncio em respeito a uma das vítimas, o policial civil André Leonardo de Mello Frias. A homenagem foi solicitada pelo deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que afirmou a intenção de homenagear apenas o policial civil e não as outras vítimas, que seriam “vagabundos”.

O pedido gerou reação de vários parlamentares, como a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Não podemos julgar a priori que as pessoas mortas eram criminosas, ninguém aqui pode dizer que todos ali assassinados eram bandidos. Ou a gente aprofunda o debate, ou fica difícil esse tipo de polêmica”, lamentou.

O 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que conduzia a sessão, afirmou que a Casa “não é tribunal” para julgar o resultado da operação e que a homenagem ao policial não caracteriza as outras vítimas como bandidos ou não.

“Este ambiente aqui não é um tribunal e não vamos julgar quem tem ou não razão. Vamos fazer 1 minuto de silêncio porque a morte de um policial é uma ocorrência que exige a nossa solidariedade. Ao fazer 1 minuto de silêncio, eu tenho que registrar que não estamos julgando todos os mortos como bandidos porque isso não nos cabe”, afirmou.

Inteligência
Ex-governadora do Rio de Janeiro, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) denunciou que recebeu notícias de pessoas mortas dentro da própria casa e que a operação mobilizou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Defensoria Pública. Ela disse que a polícia precisa trabalhar com inteligência para combater o crime, e não com ações violentas.

“Nós gostamos das coisas certas. Bandido se prende, condena, não mata. Não existe lei que autorize policial a chegar a um local com 170 mil pessoas e sair atirando. Desde quando uma pessoa suspeita tem que morrer?”, questionou.

Otoni de Paula, no entanto, parabenizou a Polícia Civil pela operação e pelo “cancelamento do CPF de 25 marginais”. “Cada bandido preso ou abatido é a garantia da promoção, da libertação do nosso povo tão sofrido, de moradores, principalmente, das comunidades”, disse. O parlamentar afirmou ainda que “alguns partidos gostam de bandidos”, fala que também gerou reação em Plenário.

A líder do Psol, Talíria Petrone (Psol-RJ), destacou que “cancelar CPFs” é uma gíria de milícia e lamentou a realização de operações policiais com troca de tiros durante a pandemia. “Para enfrentar esse quadro, não é a lógica da guerra às drogas que é a guerra aos pobres. Tem que se controlar armas e munições, e não seguir com essa lógica sangrenta que precisa ser interrompida em defesa da vida”, disse.

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli

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