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Produtores assistidos pelo Senar Goiás aumentam produção de mandioca focada na venda para a indústria de cerveja

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Os irmãos Divino e Joaquim Barbosa nasceram na roça e decidiram viver a vida tirando o sustento dela. Mas terra para cultivar eles só foram ter mesmo no ano 2000. Foi quando receberam as escrituras das propriedades no Assentamento Santa Anna, que fica no município de Araguapaz, a 260 quilômetros de Goiânia.  A partir disso, os irmãos se permitiram ousar em novos cultivos. Plantaram gergelim por oito anos e depois investiram na produção de silagem para venda.

Só que, há seis anos, eles decidiram literalmente fixar raízes em uma outra cultura: a mandioca. “Nós começamos com poucos hectares para fazer farinha, polvilho e vendíamos também para quem queria comprar para comer. A gente não sabia quanto custava para produzir. Pegava o dinheiro das vendas, achava que estava bom ou às vezes nem tanto. E a gente seguia sem ir muito para frente. Mas tínhamos certeza que nossa terra boa poderia produzir muito mais”, relembra Divino.  

Foi aí que entrou a Assistência Técnica e Gerencial do Senar Goiás (ATeG). O técnico de Campo Edgar França também viu um grande potencial na região. No entanto, era preciso organizar a forma de produção. “Antes da ATeG, os produtores colhiam em média 15 toneladas por hectare. Durante os dois anos de assistência do Senar Goiás, foram trabalhados o manejo adequado do solo, a escolha de variedades recomendadas para região, épocas adequadas de plantio e controle de plantas daninhas. Com isso, no final do segundo ano, chegamos a 20 toneladas por hectares. Agora, a produção esperada para áreas abertas nesta safra 2020/2021 é de até 25 toneladas/hectare”, detalha.

Em 2020, Divino, a esposa e os três filhos produziram 15 mil quilos de farinha e 300 quilos de polvilho. É com o dinheiro que a família se mantém. As filhas fazem faculdade de História e Estética e o filho, ainda no Ensino Médio. Depois do estudo, todos trabalham na propriedade de cinco alqueires. Mais da metade da área é destinada à produção de mandioca. 

A família do Joaquim é bem parecida com a do irmão. Na propriedade, também de cinco alqueires, vivem ele, a esposa, duas filhas, um filho e a nora. Todos produzem a mesma média de farinha e polvilho por ano. Os produtos são vendidos por meio da Cooperativa Agricultores Familiares Araguapaz (Coopaz), formada por 28 produtores do assentamento. Eles são fornecedores do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do governo federal. 

Entretanto, Divino e Joaquim queriam ousar novamente. Ouviram falar da cerveja de mandioca e pensaram que poderiam ter mais lucro se entrassem no novo mercado. “Nós fomos falar com o Edgar para ver como ele poderia nos orientar e se o Senar poderia nos ajudar. Ele nos explicou que era preciso nota fiscal para conseguirmos vender para cervejaria Ambev, que é a empresa que já está comprando a mandioca de alguns produtores da região”, relembra. “Ele organizou tudo através da nossa associação e eu, por exemplo, já espero vender, aproximadamente, 40 toneladas no mês que vem. Esse ano eu ampliei minha área plantada e, se tudo der certo, lá para dezembro, eu devo ter 140 toneladas para vender”, explica Divino.

Joaquim relata que quer fazer um contrato com garantia de compra da cervejaria e assim antecipar a produção. “Se fecharmos esse contrato, nós vamos irrigar os mandiocais e assim adiantar o ciclo da mandioca para bem antes de dezembro. Isso vai possibilitar também abrir novas áreas emais gente também poderá se beneficiar.”

O estímulo à produção de mandioca em Goiás para a fabricação de cerveja foi idealizado pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com o apoio da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), Secretaria da Retomada e Gabinete de Políticas Sociais (GPS). Também tem parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura e, no município de Araguapaz, da Superintendência de Agricultura e Pecuária de Araguapaz.

O Senar Goiás, que acredita no potencial da cadeia, além da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), também lançou o Treinamento do Cultivo de Mandioca, por meio da Formação Profissional Rural (FPF). Em apenas três dias de capacitação, o objetivo é ensinar o cultivo, ampliação de rendimento por hectare e comercialização.

 “A venda para a Ambev é uma alternativa muito interessante para escoar essa produção de mandioca in natura. Devido a oportunidade de fechamento de contrato, o preço pago pela tonelada é maior em relação ao mercado tradicional. Também tem facilidade de escoar a produção com o custo do produtor sendo apenas da colheita. Não tem exigência de variedade trabalhada. Se comparado a utilização da mandioca como matéria-prima para produtos processados, evitam-se os gastos com pós colheita, mão de obra de processamento, busca de mercado, regularização sanitária entre outros gargalos enfrentados pela agricultura familiar”, detalha o técnico Edgar França.

Atualmente, cada tonelada de mandioca é vendida para produção de cerveja por cerca de R$720. Essa mesma quantidade de raiz, depois de processada, rende 300 quilos de farinha. Cada quilo é vendido em média por R$5 o que dá um valor de R$1,5 mil. Já o polvilho rende menos ainda. Com uma tonelada de mandioca se produz cerca de 150 quilos. Vendidos a R$6, equivalem a R$900. “Apesar de parecer que a farinha e o polvilho dão mais dinheiro, depois que nós descontamos a mão de obra e outros custos para deixar os produtos prontos, percebemos que a venda da mandioca direto da roça para fábrica de cerveja compensa mais no momento. Claro, se os valores de compra forem sempre daí para cima”, calcula Joaquim. 

Divino também está muito esperançoso com o novo mercado da mandioca de cerveja e grato pelo apoio do Senar Goiás. “O trabalho do Senar Goiás é excepcional. É bom demais a gente ter conhecimento. Eu e meu irmão aprendemos a calcular os custos do plantio e o quanto podemos investir. O técnico ajeita o que precisa ser feito para melhorar a propriedade de acordo com o recurso que a gente tem. E eu e outros produtores estamos muito otimistas. Acho que vamos ter muito que comemorar e não vai faltar cerveja de mandioca para o brinde”, comemora. 

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Fonte: CNA Brasil

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