Dos 15 ex-prefeitos que disputaram a Assembleia Legislativa de MT, apenas três conseguiram se eleger; Léo Bortolin lidera votação
Ex-prefeito de Primavera do Leste recebeu 51.040 votos e garantiu uma cadeira no Legislativo estadual; José Carlos do Pátio, de Rondonópolis, ficou entre os derrotados, enquanto outros nomes conhecidos da política mato-grossense terminaram na suplência. Foto: Montagem NMT
A experiência à frente de prefeituras não foi suficiente para garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para a maioria dos ex-gestores municipais que disputaram as eleições de 2026. Dos 15 ex-prefeitos que entraram na corrida por uma das 24 vagas do Parlamento estadual, apenas três conseguiram se eleger. Os outros 12 ficaram pelo caminho, apesar de alguns terem alcançado votações expressivas em suas regiões de atuação.
O principal destaque foi o ex-prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin (MDB), que conquistou 51.040 votos e se tornou o mais votado entre os antigos gestores municipais. O resultado consolidou sua força política e garantiu o retorno de um representante diretamente ligado a Primavera do Leste à Assembleia Legislativa. Bortolin, que também presidiu a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), conseguiu ampliar sua influência para além das fronteiras do município que administrou durante dois mandatos.
Somente em Primavera do Leste, Léo Bortolin recebeu 21.948 votos, o equivalente a aproximadamente 43% de toda a sua votação estadual. O desempenho demonstrou a força de sua base eleitoral e a capacidade de transformar a experiência administrativa em capital político. O ex-prefeito também conquistou votos em outros 139 municípios de Mato Grosso, ampliando sua presença no cenário estadual.
Além de Bortolin, outros dois ex-prefeitos conseguiram assegurar uma vaga na Assembleia Legislativa. Alcino Barcelos (PL), que administrou Pontes e Lacerda, recebeu 22.624 votos, enquanto Adelcino Lopo (Podemos), ex-prefeito de Pontal do Araguaia, conquistou 21.146 votos. Os três foram os únicos representantes desse grupo a superar as barreiras do sistema proporcional e garantir mandato para a legislatura que terá início em fevereiro de 2027.
Entre os ex-prefeitos que não conseguiram se eleger, o melhor desempenho foi registrado por Ari Lafin (Republicanos), ex-prefeito de Sorriso, que recebeu 29.408 votos. Mesmo superando a votação individual de alguns candidatos eleitos, Lafin terminou na suplência, evidenciando o peso das regras eleitorais que consideram também o desempenho dos partidos na distribuição das cadeiras.
Outro nome que ficou de fora foi Meraldo Sá (Podemos), ex-prefeito de Acorizal, que somou 20.255 votos. Apesar da votação, não conseguiu conquistar uma das vagas destinadas à legenda.
Em Rondonópolis, a derrota mais significativa entre os antigos gestores foi a de José Carlos do Pátio (PV), que recebeu 15.353 votos. Depois de comandar a Prefeitura de Rondonópolis por três mandatos e construir uma trajetória de décadas na política regional, o ex-prefeito não conseguiu transformar sua experiência administrativa e seu histórico eleitoral em uma vaga no Legislativo estadual. O resultado representa um revés importante para um dos personagens mais conhecidos da política de Rondonópolis, que encerrou a disputa distante da votação necessária para conquistar uma cadeira.
A lista de ex-prefeitos derrotados inclui ainda Rafael Machado (Podemos), de Campo Novo do Parecis, com 14.436 votos; Carlos Sirena (PSDB), de Juara, com 11.727; Abmael Borges (PL), de Vila Rica, com 9.949; e Daniel do Lago (PSDB), de Porto Alegre do Norte, que recebeu 9.417 votos.
Também ficaram sem mandato Nelson Paim (PSDB), ex-prefeito de Poxoréu, com 4.486 votos; Angelita Amorim (Republicanos), de Alto Garças, com 3.613; Túlio Fontes (MDB), de Cáceres, com 3.162; Janailza Taveira (Podemos), de São Félix do Araguaia, com 2.913; e Dr. Manoel (PSD), de Diamantino, que recebeu apenas 1.398 votos.
O resultado das urnas evidencia que o reconhecimento conquistado durante a administração de uma prefeitura não representa, necessariamente, força eleitoral suficiente para uma disputa estadual. Diferentemente das eleições municipais, nas quais os candidatos concentram esforços em uma única cidade, a corrida pela Assembleia Legislativa exige articulação regional, estrutura partidária e capacidade de conquistar votos em diferentes municípios.
Outro fator determinante é o sistema proporcional utilizado nas eleições para deputado estadual. Nesse modelo, a votação individual não é o único critério para a conquista do mandato. O desempenho dos partidos e das federações também influencia diretamente a distribuição das vagas, permitindo que candidatos com votações menores sejam eleitos enquanto outros, com números superiores, permaneçam na suplência.
A eleição de 2026 também provocou mudanças importantes na composição da Assembleia Legislativa. Dos 24 parlamentares eleitos, 18 já exerciam mandato e seis chegam como novidades para a próxima legislatura. O Podemos conquistou a maior bancada, com seis deputados, enquanto outras legendas dividiram as cadeiras restantes.
Para os ex-prefeitos que ficaram de fora, o resultado representa a necessidade de reorganização política e de reavaliação das estratégias eleitorais. Já para Léo Bortolin, Alcino Barcelos e Adelcino Lopo, a eleição abre uma nova etapa na vida pública, agora com a responsabilidade de representar não apenas os municípios que administraram, mas toda a população de Mato Grosso.
O desempenho dos 15 ex-prefeitos deixa uma mensagem das urnas: administrar uma cidade, mesmo durante vários mandatos, não garante automaticamente a confiança do eleitorado em uma disputa estadual. Dos antigos gestores que tentaram chegar à Assembleia Legislativa, apenas um em cada cinco conseguiu alcançar o objetivo.





