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Mais de 100 caminhões ficam parados na BR-158 em Mato Grosso


| Fonte: Da Redação NMT com Canal Rural
caminhões

A cena se repete a cada safra: uma fila quilométrica de caminhões parados. A foto mostra a consequência de mais um atoleiro na BR-158, no nordeste de Mato Grosso. Viagem interrompida para pelo menos cem motoristas que estavam na estrada, principal corredor para escoar a produção da região do Araguaia.

“Está uma verdadeira vergonha pra gente aqui. Caminhão quebrando, estrada ruim, cheia de lama. Está ruim pra gente escoar a produção aqui para os fazendeiros, pra gente poder levar ida e volta, tá muito difícil pra gente”, relata um motorista que estava no local.

A BR-158 tem aproximadamente 800 quilômetros em Mato Grosso, ligando os municípios de Barra do Garças a Vila Rica – na divisa com o Pará. O trecho mais crítico é o único sem asfalto, entre a localidade de Alô Brasil e o entroncamento com a MT-322. É lá que fica o posto do Arnon, que na manhã desta quarta-feira, 17, com o pátio cheio de caminhões aguardando o fim da chuva e a melhoria na condição da estrada para poder seguir viagem.

A espera pela pavimentação desse trecho é antiga. A estrada foi inaugurada há cerca de 50 anos. Nesse período, a região ganhou destaque na produção agropecuária, mas não viu o esperado – e prometido – avanço logístico sair do papel. “A BR-158 é a principal rodovia do Vale do Araguaia aqui em Mato Grosso e até hoje está com 120 quilômetros aproximadamente sem pavimentação, sem asfalto. Uma vergonha para Mato Grosso e para o Brasil. A gente precisa de menos conversa, menos promessa e mais atitude em relação a esse trecho sem pavimentação”, desabafa Alessandro Pires Leandro, presidente do Sindicato Rural de Porto Alegre do Norte.

O maior obstáculo para o asfaltamento está no traçado original da BR-158, que corta a terra indígena Marãiwatsédé. Em síntese, os Xavantes não aceitam o avanço das obras, em função – principalmente – dos impactos ambientais que poderiam ser gerados. No ano passado, o Ministério da Infraestrutura confirmou que a estrada irá contornar a reserva indígena. O que vai aumentar a distância, os custos e também o tempo necessário para o desfecho desta história.

Apesar da decisão, quem produz no Vale do Araguaia relata um sentimento de abandono. “Mais uma vez o produtor trabalha, faz a sua parte da porteira para dentro. E mais uma vez nós estamos no descaso. A BR-158 está totalmente intransitável. Antes eram 1,5 mil carretas por dia nesta estrada, hoje são mais ou menos 2 mil. E cada dia falam ‘amanhã vai ser feito pelo traçado original… agora é pelo contorno’, e nada está sendo feito. O descaso nesta parte do Araguaia está cada dia mais consolidado e nós precisamos acabar com isso”, conclui Anísio Vilela, presidente do Sindicato Rural de Vila Rica.

O que diz o governo federal?
Em nota, o Ministério da Infraestrutura informou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) tem atuado diligentemente para garantir a trafegabilidade da rodovia, principalmente no período chuvoso, com equipes mobilizadas de maneira ininterrupta para dar condições de trânsito no trecho não pavimentando.

Segundo o ministério, após definição do traçado, indicando o contorno e evitando travessia por terra indígena, o lote A da rodovia já foi licitado, contemplando projeto e obra. O referido projeto se encontra em fase de elaboração. O lote B do contorno já está em etapa de estudo avançada, possibilitando posterior licitação de projeto e obra.

O texto diz ainda que as obras de pavimentação dos dois segmentos do contorno dependerão de aporte orçamentário e contam com priorização do Ministério da Infraestrutura e com o apoio da bancada de Mato Grosso no Congresso Nacional.

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