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Armadas e maquiadas: policiais são as “blogueirinhas da farda”


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Na segurança pública de Mato Grosso do Sul, três policiais fazem questão de se mostrar nas redes sociais sem medo de comentário machista ou exposição na internet. Aliás, o intuito é nobre: mostrar que a mulherada deve ocupar seu espaço e fazer o que sonha.

Trio armado de bons conteúdos

Se declarando apaixonadas pelo fazem, Edilaine, Camila e Juliane são as três “blogueirinhas” e profissionais concursadas na PMMS (Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul) e na GCM (Guarda Civil Municipal). Saem armadas, maquiadas, de unha pintada e dão bom dia assim para todo mundo. Juntas elas acumulam mais de 121,9 mil seguidores em seus perfis no Instagram.

E não tem assédio que faça as três abrirem mão das redes sociais, pelo contrário, exibem a rotina profissional e pessoal sem dó, mesmo no interior, onde o “buxixo” é alto. A ideia, segundo elas, não é fama, mas levantar a autoestima da mulherada para uma profissão que ainda é escolhida e exercida na maioria por homens.

A mais velha do grupo – tanto por idade quanto tempo de carreira – é Edilaine Mansueto, 42 anos, a subtenente da Polícia Militar. Natural de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, entrou para a instituição em 1998 – de lá pra cá só cresceu. “Venho de uma família muito humilde, pai pedreiro e mãe dona de casa, sempre achei que pelos estudos seria o melhor caminho para sonhar e concretizar os sonhos”, acredita.

O curriculum das meninas

Bacharel em Direito, em Campo Grande ela trabalha no 1º Batalhão ocupando a função de Subcomandante da Força Tática e no Instagram ela tem mais de 82,6 mil seguidores, com fotos e poses viralizadas. “Sou completamente apaixonada pelo meu ofício. Tenho orgulho da farda que visto. Nossa profissão é especial, afinal arriscar a vida para defender a dos outros realmente não é para qualquer um. Mas é que sou movida por desafios, e aqui cumpro meu juramento de servir e proteger a sociedade”, afirma Edilaine.

Por sua vez, Juliane Costa é a soldado de 27 anos também da PMMS, mas no município de Maracaju. Natural de Dourados, com 19 anos surgiu a oportunidade de fazer o concurso para a instituição e simplesmente caiu de cabeça. Nas redes sociais mostra a vida pessoal e profissional para mais de 28,8 mil seguidores. “Na época não tinha condições de fazer cursinho preparatório, estudei muito em casa vendo vídeos no YouTube e lendo apostilas”, diz.

Há 6 anos na instituição, ser PM para Juliane significa estar em constante evolução. “Sinto orgulho de servir e proteger as pessoas, sempre com muito respeito e humildade. Realmente não é uma profissão fácil, lidamos com todo tipo de situação, mas no final do dia vale a pena”, considera.

Perfis diferentes garantem a pluralidade

Já Camila Coimbra, 29 anos, é a guarda civil municipal de 3ª classe em Dourados que não está nas forças militares como as outras duas colegas, mas também encontrou na farda o diferencial para sua vida. “Todos os dias que estou de plantão, seja aos sábados, domingos e feriados, não importa o dia, eu me levanto com todo o prazer e gratidão a Deus. Em todas as profissões temos desafios, no nosso caso, escolhemos o desafio de proteger as pessoas de bem, mesmo com o risco das nossas próprias vidas. Por mais que vivo sob alerta o todo tempo, sinto prazer em poder ajudar outro alguém”, relata.

Ela abandonou a área de radiologia (e outros tantos trabalhos extras que fazia) para se tornar concurseira. “Não tinha nem mais dinheiro para pagar as inscrições, mas meus pais acabaram me dando uma ajudinha”, relembra. O resultado da insistência foi passar em 4 concursos públicos e escolheu ser guarda municipal.

“Blogueirinhas” – No Instagram, o número significativo de seguidores para as três já está de bom tamanho porque “o público é fiel”. A cada foto ou vídeo postado, chove curtidas e comentários – engajamento que faz com que se tornem “influenciadoras da farda”.

Inspiração das policiais blogueiras

Ela abandonou a área de radiologia (e outros tantos trabalhos extras que fazia) para se tornar concurseira. “Não tinha nem mais dinheiro para pagar as inscrições, mas meus pais acabaram me dando uma ajudinha”, relembra. O resultado da insistência foi passar em 4 concursos públicos e escolheu ser guarda municipal.

“Muitas mulheres que me seguem me vêem como ‘inspiração’, tanto para a carreira militar quanto nos treinamentos físicos. Recebo muitos elogios, mas os que não são respeitosos, bloqueio logo!”, afirma Edilaine.

“Eu não imaginava a proporção que as redes sociais tomariam. Procuro ter responsabilidade sobre o que postar, sabendo que existem várias pessoas que admiram e se espelham na gente. Não tenho medo de me expor até mesmo porque os policiais estão sempre expostos, independente de estarem de farda ou não”, considera Juliane.

A importância da diversão

Já para Camila, não deixa de mostrar que também leva sua vida pessoal na tranquilidade. “Viagens, idas a barzinhos e outros encontros, afinal minha realidade é também a de alguém que sai e se diverte. Mas no dia a dia, sei bem o impacto positivo que causamos nas pessoas. Hoje em dia recebo mensagens de incentivo, agradecimentos, pedidos de ajuda e até mesmo orientação em casa de crimes”, diz.

Para as três é consenso: com ou sem farda, unhas sempre estão esmaltadas, o cabelo arrumado e a maquiagem na cara.

“O militarismo não tem de ser motivo para não nos cuidarmos como mulher”, opina Edilaine.

“Sabemos que teremos situações que ‘glamour’ nenhum conseguirá permanecer, mas com a leveza da mulher é possível diminuir a impressão masculina que possa existir a cerca dos servidores de segurança pública”, acredita Juliane. “Sempre levo algum item na bolsa para retocar a make quando dá tempo. Faço isso porque me sinto bem. O fato de estar em uma posição de agente não impede de mantermos o lado feminino”, afirma Camila.

Trabalho das policiais em território masculino

Por mais que as instituições onde trabalham continuem com maioria masculina – além da caraterística de ser um ambiente mais machista –, elas conseguem impor respeito porque também compartilham do mesmo sentimento para com os colegas. Aos pouquinhos, mais e mais mulheres entram para a força assim como elas um dia entraram. Ou, melhor ainda, que as meninas assumem mais posições de comando, como foi o caso neste ano da primeira mulher no Comando da Guarda Municipal de Dourados. Ainda, a PMMS resolveu tirar no último concurso o percentual limitador feminino, o que significa que se tornou realmente misto. Para as três, tudo isso é um avanço.

“Aprendi a me adequar ao ambiente masculino porque precisei primeiramente ganhar o respeito e admiração de meus colegas. Penso que hoje, com toda evolução da mulher na sociedade, até mesmo os ‘machões’ por aí entendem a necessidade da mulher em qualquer profissão”, julga Edilaine. “O número de mulheres na polícia ainda é considerado pequeno, porém todas que atuam na área se mostram fortes e determinadas a conquistarem seu espaço”, comenta Juliane. E Camila acrescenta: “o lado feminino com certeza tem cada vez mais força porque existem situações, ocorrências, que faz toda diferença a presença de uma mulher”.

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