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Vítimas de advogado em MT relatam que tentaram suicídio e detalham ‘modus operandi’ do agressor


| Fonte: Olhar Direto
Vítimas de advogado em MT relatam que tentaram suicídio e detalham ‘modus operandi’ do agressor

Mariana Vidotto e Laryssa Moraes, ambas ex-companheiras do advogado Cleverson Campos Contó, transmitiram ao vivo na última segunda-feira (7) uma conversa em que relataram detalhes dos abusos físicos, sexuais e psicológicos realizados por ele. As duas contaram que chegaram a tentar suicídio diante do sofrimento da convivência com este homem.

De acordo com Laryssa, ela tentou tirar a própria vida três vezes. Já Mariana afirmou que mesmo sendo espírita, chegou a pedir “desculpas a Jesus” e tomar diversos remédios para tentar se matar. “Eu lembro da minha conversa com Jesus. Eu disse: me desculpa, eu sei que o senhor é misericordioso, eu vou pagar por isso, mas eu prefiro pagar por isso do que continuar pagando o preço dessa vida”, relatou.

Modo de agir

A médica Laryssa foi casada com Cleverson antes do namoro dele com Mariana. Conforme esta, que é ativista da causa contra a violência doméstica, o modo de agir dele é semelhante com todas as vítimas que já apareceram.

“Eu achei uma gaveta”, lembrou Mariana, “Uma gaveta com cartas [das ex namoradas dele]. E aí eu olhava aquilo e não entendia, porque as cartas seguiam um padrão: me perdoe por alguma coisa e te agradeço por alguma coisa. Hoje eu entendo, que são vítimas, que nem sabiam que eram vítimas, e ele foi guardando essas provas pra quando esse momento chegasse”.

Presa ao agressor

Mariana, que é também estudante de psicologia, explica que todos os casos de violência doméstica a vítima se vê presa ao agressor. “Ninguém permanece com alguém que só bate, que só xinga. Acontece que você vive em um redemoinho surreal, de príncipe e monstro, e você quase enlouquece. Você perde sua identidade, perde tudo, porque você é proibida de tudo, e você perde o olhar das pessoas. Você não tem mais o seu olhar, e o seu olhar pra você mesma torna-se o olhar do seu abusador. É isso que acontece”, lamentou.

A ativista ainda relatou que sofria diversos empurrões no dia a dia, mas o mais grave foi quando foi enforcada e chegou a perder a consciência. Quando fazia isso, no entanto, Cleverson tentava criar provas para incriminar a companheira. “Quando ele me empurrou, que eu segurei nele. Eu vi que eu ia cair, fui tentar segurar nele pra não cair, e arrebentou o cordão de ouro. Ele tirou foto do cordão, tirou foto da camisa que rasgou… é um artista”.

Além disso, Mariana relatou também que tem um vídeo em que mostra o advogado abusando sexualmente dela. “Eu já sentia asco, já tinha passado por todas as situações de humilhação no sexo possível. E obviamente depois disso você não consegue sentir atração, então ele usava da força”, lembrou. “Eu tenho um vídeo muito horrível, que eu espero não precisar soltar. Quando eu negava sexo pra esse cidadão, ele abria um vídeo pornô e começava a se masturbar, fazendo movimentos pra cama balançar. […] Eu estava me sentindo tão humilhada que comecei a gritar: sai daqui, sai daqui. Sai daqui que eu vou filmar você. E eu comecei a filmar e ele fala: você vai filmar eu me masturbando, sua vagabunda? E ele vem pra cima de mim, e dá pra escutar eu falando “não encosta em mim!””.

Segundo Mariana, no início sua missão foi somente a de fazer a denúncia, mas agora não irá descansar enquanto ele não for preso. “Ele pode até ser solto, mas eu não vou descansar. Agora é o Brasil olhando pra várias mulheres que foram estupradas, que foram coagidas, que acabaram com a nossa vida. E eu não vou descansar. Porque [se] isso ficar impune, não é [só] a nossa história [que vai] ficar impune”, declarou.

Outro lado

O advogado Eduardo Mahon assumiu a defesa de Cleverson Contó, e se manifestou por meio de nota. De acordo com ele, o advogado é vítima de uma articulação.

“Tudo indica que o referido advogado é vítima de uma articulação para extorquir recursos financeiros e driblar decisões judiciais que proíbem ex-relacionamentos de fazerem qualquer menção ao nome dele”. Ele ainda afirmou que as provas de extorsão e denunciação caluniosa serão enviadas às autoridades responsáveis.

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