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Primavera se destaca com tratamento precoce e evita mortes por Covid-19


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Tratamento precoce tem sido fundamental para os casos confirmados de Covid-19

Com população próxima de 62 mil habitantes, Primavera do Leste-MT (243 km de Cuiabá) tem a pandemia de COVID-19 parcialmente controlada, sobretudo quanto ao agravamento dos casos, diferente de boa parte dos municípios do estado.

Comparada com os três maiores municípios do estado, que consecutivamente possuem o maior orçamento, a taxa de letalidade de 2% de Primavera chama a atenção, principalmente se comparada com os 4% de Rondonópolis, os quase 5% de Cuiabá e os mais de 7% de Várzea Grande.

Em outras palavras, vidas estão sendo salvas na cidade do interior e o segredo seria a execução de um tratamento precoce, executado desde o início da quarentena. A cidade é a que mais testou no estado, são mais de 11 mil primaverenses que já tiveram este atendimento.

A diferença esteve sobre como a gestão agiu frente a realidade de 1.700 casos positivos. A ideia de não esperar o agravamento pode ter feito a cidade perder apenas 2 em cada 100 infectados, enquanto que na vizinha Rondonópolis faleceram quatro, em Cuiabá cinco e em Várzea Grande sete, nesta mesma proporção.

Plano Primavera

Dos pouco mais de 1.700 casos já foram confirmados em Primavera até esta sexta-feira (31), quase 1.500 destes pacientes já são considerados plenamente recuperados, estando maior parte deles em suas próprias residências.

A interação entre os médicos locais e a população não se restringiu aos casos agravados e a descentralização deste contato desafogou o pronto socorro, impedindo que a aglomeração no hospital viesse a prejudicar atendimentos e auxiliar na disseminação do vírus.

“Quando surgiram as orientações do Ministério da Saúde para cessarmos os atendimentos eletivos, a prática foi vermos uma sobrecarga da UPA. Foi aí que começamos a ver que esse modelo não funcionaria porque as pessoas começaram a ficar apavoradas e queriam atendimentos, informações e amparo”, lembrou a secretária de saúde, Laura Kelly Hortenci de Barros Santos.

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A ideia da secretária e do prefeito Leonardo Bortolin (PMDB) foi criar um 0800 e abrir canais de agendamento de atendimento nas 16 unidades de atenção básica da cidade para que pessoas com sintomas suspeitos não se misturassem com as de casos já avançados.

“Falamos com os nossos profissionais de saúde e adotamos um protocolo precoce com consulta, orientação, atendimento em domicílios e distribuição de medicações, quando era o caso”, externou a secretária.

Kelly lembra que o desequilíbrio psicológico e princípio de desespero da população acabaram totalmente controlados com a aproximação de cidadãos e médicos, estabelecendo uma precocidade de atendimento quando as orientações nacionais e até internacionais eram de só “procurar um médico quando faltasse ar”.

“Criamos uma unidade sentinela, atendendo pessoas das 7 às 19 horas todos os dias, abrindo as portas para qualquer cidadão com síndromes gripais. Em paralelo, também fomos estruturando leitos para casos agravados”, explicou.

Cidade unida

Ainda no início da pandemia, uma unidade de apoio foi montada com 40 quartos na Terceiro Milênio, uma estrutura cedida pela Igreja Católica. Neste local, a gestão municipal de saúde promoveu e ainda executa isolamentos programados.

“Estas alas de apoio nos permitiram também evitar a propagação do vírus. Levamos para lá pessoas que apresentam leves sintomas e que tenham tido contato com algum caso positivo, bem como trabalhadores que rotineiramente chegam na nossa cidade, vindos de outras localidades”, comentou.

Parceria com a iniciativa privada

O rastreamento destes trabalhadores não-residentes foi feito junto com empresários, sobretudo do agronegócio, que os contratam. Os produtores se prontificaram a custear a testagem destas pessoas que eventualmente chegam em Primavera e manter um contato estreito com o Município.

“Quando estes trabalhadores chegam nas fazendas, vindos do Nordeste e de outras regiões do país, são automaticamente testados. Em casos positivos ou mesmo com sintomas suspeitos, eles já são levados para esta ala de apoio e isolamento que montamos. Essa necessidade foi discutida com os fazendeiros e tivemos a necessidade de firmar esta parceria, já que só nesta primeira safra de algodão foram aproximadamente oito mil pessoas que chegaram no município e ainda virão as safras de milho e soja”, pontuou a secretária.

Gestão entrosada

Além de fazer questão de ressaltar que o proporcional sucesso da cidade até o momento se deve pela sensibilidade dos empresários locais que realizaram doações, monitoraram funcionários e foram parceiros do Poder Público, a secretária testemunhou o quanto que, tecnicamente, é necessário que a equipe de trabalho e a metodologia definida tenha a confiança e o aval do gestor político local.

“Eu testei positivo para a Covid praticamente junto do prefeito. Mantivemos um diálogo muito próximo e traçamos essa estratégia de monitoramento constante da população. Definimos de maneira antecipada nossas ações, antes do vírus chegar na cidade. Primavera se preparou para proteger a população e isto se deve a sensibilidade do nosso gestor. Eu vejo a agonia de muitos colegas em outras cidades que lutaram para executar o mesmo plano, mas não tiveram o apoio da chefia do Executivo”, finalizou Kelly.

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