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CRISE NA UFR: reitora é acusada de ser “anti-democrática” e reage


| Fonte: Da Redação NMT
Com a missão de implantar administrativamente a UFR, reitora recebe críticas de centralização e arbitrariedade, mas rebate ressaltando soberania do CONSUNI. Foto - Gabriel Jabur/MEC

O que era para ser um momento unicamente positivo dentro da história do campus da Universidade Federal de Rondonópolis – UFR, tem se transformado em forte turbulência, nas últimas semanas.

A reitora à frente da instituição de ensino, que se encontra em processo de desvinculação administrativa da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT, tem sido acusada de ignorar a comunidade acadêmica.

Analy Castilho Polizel, que é reitora pro tempore da UFR, ou seja, assumiu o cargo por tempo limitado por indicação do Ministério da Educação e não por eleição interna, é alvo de críticas por deliberar em desrespeito a quem faz a Instituição acontecer.

Acusação acadêmica

Segundo um coordenador de um dos 19 cursos do campus, que não quis ser identificado, as opiniões de professores, alunos e da sociedade civil organizada não estão sendo consideradas em um período base da construção da agremiação.

“Uma universidade pública é um local de pluralidade de ideias. Nós estamos em um momento crucial, onde o estatuto da UFR está sendo elaborado rumo ao regimento interno. Isso simplesmente está sendo feito sem a comunidade acadêmica ser ouvida”, reclamou.

Indiferença

De acordo com o relato, as demandas e ideias até são colhidas, mas em meio as sessões deliberativas do Conselho Universitário – CONSUNI, onde efetivamente os rumos são dados, as requisições não ganham a força devida.

“O sentimento é que estamos em uma universidade privada, onde um núcleo superior decide, os coordenadores são informados e os professores executam. Neste momento, deveríamos estar discutindo como a UFR vai se diferenciar. É uma oportunidade única, mas a verdade é que não fazemos parte do debate”, lamentou.

Suspensão

No próximo dia 25, o CONSUNI se reúne para decidir se a suspensão das aulas, definida até o próximo dia 30, terá seu prazo estendido ou então se a UFR implantará um modelo de ensino remoto, com apoio de recursos online e atividades fora do ambiente acadêmico para seguimento do calendário.

O coordenador afirma estar havendo um direcionamento da Reitoria quanto a uma vontade já explícita de implantar o sistema remoto, sem que existam condições tecnológicas internas e sobretudo da parte dos alunos para tal realidade.

Modelo polêmico

“Absurdamente, nós coordenadores já recebemos a minuta sobre essa questão, quando o normal seria o CONSUNI abordar, abrir-se o debate e só posteriormente em uma nova reunião deliberar. A impressão que dá é que eles já decidiram, sem levar em conta que 70% dos nossos quatro mil alunos são de baixa renda e muitos não contam com uma banda larga em casa”, ilustrou.

Um professor, também ouvido pela reportagem, contou que os alunos que não conseguirem acompanhar o modelo remoto, diante do que já foi informado, trarão aos docentes o ônus de realizar uma confusa reposição. “Vai criar-se um déficit que lá na frente nos obrigará a ter que dar a mesma aula duas vezes pra mesma turma. Uma falta de planejamento gritante”, comentou.

Voz sindical
Líder sindical aumenta tom das críticas contra reitora pro tempore. Foto – Talita L. Tavares/ PragmatismoPolítico
A atual líder da Associação dos Docentes da UFR – ADUFMAT, Ivanete Rodrigues dos Santos, confirmou as falas ouvidas pela reportagem e chegou a citar até mesmo a possibilidade de judicialização, caso o que chamou de “gestão arbitrária” não mude seu modus operandi no campus.

“Ninguém tem claro qual o projeto. O que estamos vendo é um grupo de iluminados em flagrantes ilegalidades. Esse caminho do ensino remoto, com nossas características, é uma maneira de excluir e lesar boa parte dos nossos alunos por uma situação social. Nosso foco é conquistar espaço para sermos ouvidos administrativamente, mas se necessário nós judicializaremos, até porque é uma medida inconstitucional”, cravou.

Portões fechados

A ADUFMAT, aliás, já expediu duas notas de repúdio contra ações “centralizadoras”, em um ambiente onde a democracia absoluta deveria reinar, conforme lembra Ivanete. “A conquista da UFR foi de toda sociedade, com participação crucial de entidades como a maçonaria, a ACIR, clubes de serviço e tantas organizações que abriram espaço junto a classe política. Esse pessoal sequer tem uma cadeira no CONSUNI agora”, esbravejou.

Outro lado  

A reitora atendeu a reportagem nesta terça-feira (19) e esclareceu os pontos polêmicos trazidos pela comunidade acadêmica e pela representante maior do sindicato. Sobre a falta de discussões e maior transparência das ações administrativas do grupo diretivo que lidera, Analy atribuiu a realidade atípica da pandemia, mas negou que esteja tomando decisões sem ouvir todos os envolvidos.

“Estamos vivendo um momento político muito delicado e uma pandemia, que modificou toda nossa rotina de trabalho. Eu assumi em dezembro passado, de lá para cá foram três reuniões do CONSUNI, mas desde março estamos impossibilitados de fazer aglomerações por decreto municipal. Tivemos de suspender encontros, relações pessoalizadas e o distanciamento acaba ocorrendo. Eu até tenho, por minha função, a liberdade de execução, mas não tenho feito uso. Tudo que fizemos até agora foi em decisão coletiva”, defende-se.

Youtube e sem voto

Sobre o CONSUNI, Analy afirma que todos podem assistir os debates para confirmar que ela se porta unicamente como mediadora. “O CONSUNI é um conselho formado por representantes de docentes, de técnicos, do DCE (Diretório Central dos Estudantes) e já temos edital aberto para uma cadeira de um representante da sociedade civil, que brevemente deve participar conosco. Todos estes votam, são ouvidos, trazem seus materiais e todas as reuniões são filmadas e transmitidas pelo youtube. Eu sequer tenho voto”, pontua.

Quanto a deliberação do ensino remoto, Analy volta a falar sobre a soberania do CONSUNI. “Novamente, como sempre foi, será uma decisão democrática. Se for decidido por alongarmos a suspensão, procederemos dessa maneira. Agora, o levantamento que temos é que apenas 8% dos nossos alunos não possuem acesso tecnológico. Para estes, procederemos com um recurso em forma de um auxílio internet, permitindo que não tenham prejuízos. A universidade é composta de vários entes e precisamos entender a necessidade de cada um”, resumiu.

 

 

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