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Em mulher não se bate nem com uma flor


Se revoltar para que o goleiro Bruno não exerça o seu ofício não é a solução
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Hoje foram divulgadas nas mídias algumas matérias sobre a vinda do Goleiro Bruno para trabalhar em um time de futebol Mato-grossense.
Lendo alguns comentários pude perceber que as opiniões se divergem quanto ao goleiro desempenhar sua função no referido clube, sendo algumas a favor e outros contra.
A parte contra em sua grande maioria entende que o que ele fez é imperdoável, principalmente por ter assassinado uma mulher de forma brutal, não dizer onde escondeu o corpo e principalmente por não se arrepender do que fez.
Os a favor entendem que a pena está sendo paga, é obrigação do estado e da sociedade promover a ressocialização do detento, que o Bruno além da lei dos homens pagará na lei de Deus e que perdoar é necessário.

Nós, enquanto sociedade, precisamos dar um basta contra a violência doméstica e isto só é possível com o encorajamento da vítima que no primeiro abuso já saia deste ciclo vicioso

Refleti sobre o assunto e penso que por trás da vinda do goleiro Bruno para o Estado de Mato Grosso o que tem que ser visto e falado é a questão da violência, no caso contra a mulher.

A brutalidade vivenciada pela Eliza Samudio vem acontecendo todos os dias com a Maria, com a Ana, com a Joaquina e tantas outras mulheres que são assassinadas de formas brutais e que muitas vezes são imagináveis.
Entendo que o que nunca podemos deixar de falar e falar sobre a violência contra a mulher de uma forma global.
Violência física, psíquica, dentre tantas outras que vemos todos os dias.
Entendo que é esta discussão que nunca pode morrer, pois como vemos no noticiário é crescente o número de violência contra a mulher.
Se revoltar para que o goleiro Bruno não exerça o seu ofício a meu ver não é a solução.
A solução é cada vez mais lutarmos por proteção, acolhimento e encorajamento das vítimas.
Lutarmos para que as vítimas tenham apoio para sair deste ciclo vicioso, não tendo medo de denunciar abusos vivenciados.
Quebrar o ciclo para que não cheguemos onde chegou a Eliza e tantas outras mulheres.
Nós, enquanto sociedade, precisamos dar um basta contra a violência doméstica e isto só é possível com o encorajamento da vítima que no primeiro abuso já saia deste ciclo vicioso.
Que esta vítima tenha acompanhamento para se fortalecer e entender que a melhor solução é a denúncia.
Nós mulheres e homens precisamos nos unir, não ficarmos calados e principalmente acolher, dar apoio e lutarmos juntos por leis mais severas.
Ensinar nossos filhos o respeito  pela mulher e principalmente que em mulher não se bate nem com uma flor.
ANA CATIUCIA LINS DE ALMEIDA é advogada.

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